Escrevi o artigo abaixo no primeiro semestre deste ano, quando ainda estava pensando a respeito do tema para o meu projeto de conclusão do curso de Pós Graduação em Design Gráfico. Espero que gostem… Ah, e comentem….
Introdução
A internet se tornou pública na metade da década de 90 e desde então ela vem conquistando espaço nas empresas e casas do mundo todo. Grande parte da população mundial já teve acesso à rede mundial de computadores e milhões de usuários acessam ela diariamente. Seja para trabalho ou lazer, o fato é que ela vem evoluindo e alçando novos voos, conquistando novos usuários e atraindo os olhares de investidores que estão atentos a cada nova sensação.
Sites e serviços novos surgem constantemente e tentam “abocanhar” um pedaço do público deste imenso universo virtual. E a grande conquista de um site é ele ser adicionado à lista de favoritos dos usuários. Este ato de adicionar determinado site à lista de favoritos do navegador é um processo de seleção semelhante ao existente em relação ao jornal ou à uma emissora de TV. Todos os leitores e telespectadores possuem suas preferências e fazem tal escolha baseados no seu gosto e satisfação pessoal.
O agravante, no caso da Internet, é o fato de existirem centenas e, até milhares, de sites concorrentes, que podem atingir o âmbito global. Tal abrangência é positiva e negativa ao mesmo tempo e deve ser trabalhada com atenção pelas empresas. Brilhantemente, Alvim Netto em seu livro IHC-Interação humano computador: modelagem e gerência de interfaces com o usuário (2004, p. 5) argumenta:
Hoje o homem se torna globalizado pela internet, integrado e desagregado, não existe pátria, no sentido primitivo. Hoje o que temos é uma aldeia global, onde o homem é sujeito e predicado de sua própria história.
A aldeia global se forma quando o limite territorial se torna sem delimitações definidas. Um usuário do Brasil pode acessar um site da Europa para conversar com um Japonês em inglês, por exemplo, sem os custos de tirar passaporte, comprar passagens aéreas e gastar com hospedagens.
Nesta situação, para que o nível de experimentação atinja seu ápice, é necessário que ambos conheçam o básico da informática e dos conceitos por traz da internet, sua simbologia, iconografia e que tenham o mesmo objetivo em mente: o de conversar com outra pessoa utilizando-se de um determinado site.
A questão hipotética se torna possível através de uma comunicação singular e que pode ser entendida por todos os envolvidos. Com o uso de tradutores instantâneos existentes na internet, a deficiência no conhecimento de determinado idioma se torna irrelevante e a comunicação pode ser efetuada sem prejuízos no entendimento da mensagem a ser transmitida.
Outro fator determinante para que esta conversa se torne possível é o estudo relacionado à IHC – Interação Humano-Computador – e que, ao longo dos anos, veem sendo aprimorado, ampliando a efetividade necessária para que essa relação homem-máquina seja mais proveitosa.
Segundo Netto (2004, p. 73), “as interfaces atuais têm como objetivo fornecer uma interação humano-computador o mais ‘amigável’ possível. Desta forma, ela deve ser fácil de ser usada pelo usuário, fornecendo sequencias simples e consistentes de interação, mostrando claramente as alteranativas disponíveis a cada passo da interação, sem confundir nem deixar o usuário inseguro.”
Ainda segundo Netto (2004), essa interface “amigável” é de responsabilidade do Designer Gráfico e que deve ser levada em consideração cinco pontos importantes durante o desenvolvimento do projeto: Design, capacidades e limitações físicas e cognitivas dos usuários, teoria e prática para o design e para o desenvolvimento de sistemas interativos, modelos de interfaces e os aspectos sociais e organizacionais.
Todos os programas de computadores, dos sistemas operacionais, até os websites precisam que essa interação humano-computador seja a mais eficiente possível. Nela está o sucesso ou o insucesso de uma operação. No caso de sites globais, o usuário do outro lado do mundo deve conseguir navegar e efetuar as tarefas desejadas com sucesso.
A participação do Designer Gráfico neste contexto de Interação Homem-Máquina possibilitou que o avanço tecnológico se extendesse também para o avanço conceitual, permitindo que mudanças radicais fossem implementadas à internet, que até então seguia os passos da comunicação utilizada na Internet, no rádio e nos jornais impressos.
“Da mesma forma que na década de 50 os primeiros programas de televisão tiveram seus formatos importados do rádio, a internet também teve suas referências na fase embrionária da WWW. No começo da popularização da rede, o processo de elaboração e construção de sites era feito, em grande parte, por informatas e técnicos que conheciam alguma coisa sobre programação.”
IUNES, André Philippe. Usabilidade: a Lei do mais fácil. Revista WebDesign, Rio de Janeiro, n. 11, p. 26-36, nov. 2004.
IHC
Segundo Paul A. Booth (1989, p. 5-6), na Interação Humano Computador existem cinco possíveis áreas de pesquisas: Pesquisa de interação hardware e software, modelos equivalentes, níveis de tarefas, design e desenvolvimento e organização do impacto.
Ainda segundo Booth (1989), o IHC define como o design deve se adaptar para melhor aos usuários, ou seja, transformar o design centrado no sistema em design centrado no usuário.
O desenvolvimento de interface gráfica para o usuário requer diversos níveis de conhecimento e, de acordo com Netto (2004), todo projetista deve conhecer esse processo de interação homem-máquina:
“[...] de acordo com a engenharia cognitiva, o objetivo do designer é desenvolver um sistema que, com o processo de interação, ofereça ao usuário a possibilidade de criar um modelo mental afinado com o que foi projetado pelo designer. Para isso, Norman (1986) acredita ser necessário que o projetista de sistema entenda o processo de interação entre usuário e a interface do sistema.”
O autor cita ainda que a melhor definição para o termo interface é:
“[...] a de Moran (1981) é seguramente uma das mais estáveis: ‘a interface de usuário deve ser entendida como sendo à parte de um sistema computacional com a qual uma pessoa entra em contato físico, perceptiva e conceitualmente.’”
Segundo os autores, a interação da interface deve ser focada principalmente no usuário, facilitando sua compreensão e permitindo que ele interaja com o computador de forma harmônica, criando relações mentais, gerando contato físico, perceptivo e conceitual. Netto (2004) argumenta ainda que é o designer que irá determinar a maneira como o usuário irá interagir, priorizando elementos que são mais pertinentes a cada projeto, como por exemplo, a usabilidade.
Inclusão e Acessibilidade Digital
“Acessibilidade significa “facilidade de interação” ou aproximação. Quando focada em tecnologia, tem o objetivo de tornar os computadores e a Internet mais acesível para deficientes físicos e visuais. Esse é um grande atrativo para empresas sérias e dispostas a apostar neste público, que não deve ser descartado.”
CARRION, Wellington. Design para Webdesigners – Princípios do Design para Web. Rio de Janeiro: Brasport, 2008 – p. 41
Paralelamente ao avanço ocorrido na relação humano computador, há de se destacar a inclusão digital que segue em ampla disseminação, permitindo o acesso às pessoas que nunca tiveram contato com o computador e, aos quais, tudo é novo e mágico.
Essa inclusão digital traz consigo uma legião de pessoas que não sabe ao certo o que é e como se navega na internet, como se mexe nos programas ou o que cada ícone significa. São pessoas que não possuem a linguagem digital em seu repertório e que constantemente necessitam de auxílio de outros usuários mais experientes. Cedo ou tarde, elas começarão a fazer-se uso dessas ferramentas sozinhas, e essa transição só será possível de ser efetuada com naturalidade se os programas utilizados e os sites acessados possuírem um bom índice de IHC.
Outro ponto importante contemplado pelo IHC são as possibilidades oferecidas aos portadores de deficiencias físicas que fazem uso de tecnologia especial para acessarem os computadores ou mesmo a Internet. Os deficientes visuais ou com restrições visuais contam com a ajuda de programas que realizam a leitura de todos os elementos textuais existentes na tela. Já os usuários com deficiências físicas podem utilizar-se de mouses especiais e teclas de atalhos no teclado.
Em pesquisa realizada utilizando-se da base de dados do Censo 2000, 24 milhões de pessoas, ou seja, ao menos 14% da população brasileira, portavam alguma deficiencia física no início do século XXI. Desse total, 67% possui alguma restriçãos visual e 0,6% com cegueira total. A dificuldade em caminhar vem em segundo lugar com 32% e a deficiência a auditiva em terceiro com 24% desse universo. [3]
Segundo a Lei de Acessibilidade através do Decreto de Lei nº 5296, de 2 de dezembro de 2004, no artigo 47 determina que “No prazo de até doze meses a contar da data de publicação deste Decreto, será obrigatória a acessibilidade nos portais e sítios eletrônicos da administração pública na rede mundial de computadores (internet), para o uso das pessoas portadoras de deficiência visual, garantindo-lhes o pleno acesso às informações disponíveis”[4].
A validade deste decreto é apenas para órgãos e sites da administração pública, porém reflete a preocupação que a sociedade deve ter em adaptar aos deficientes visuais e demais portadores de necessidades especiais todo o conteúdo ofertado ao público.
“Os problemas de acessibilidade mais sérios, dado o atual estado da Web, relacionam-se a usuários cegos e a usuários com outras deficiências visuais, posto que a maioria das páginas da Web é altamente visual. Por exemplo, é bastante comum ver combinações de cores de primeiro e segundo plano que tornam as páginas praticamente ilegíveis a usuários daltônicos.”
RECOMENDAÇÕES de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) 2.0. São Paulo, 2008. Disponível em: <http://www.ilearn.com.br/TR/WCAG20/> . Acesso em: 24 mai. 2010
Além dos órgãos públicos, muitas empresas estão buscando adequar suas instalações e sites para auxiliar os usuários que possuem restrições físicas.
Desenvolvimento de site acessível
A entidade internacional W3C é a responsável pela padronização dos recursos e pela forma como os sites devem ser construídos para que eles sejam acessíveis para todoso os usuários.[5]
Segundo a entidade existem três níveis diferentes de deficiências, classificadas em A (o mais baixo), AA e AAA (o mais elevado). As recomendações da entidade abrangem diversas questões importantes como o tamanho das letras, cores de fundo e opções de atalhos para teclado.
O site deve conter, por exemplo a opção de aumentar o tamanho dos textos em até 200% do original, facilitando a leitura do conteúdo por pessoas com alguma limitação visual.
Com relação aos cegos, as imagens e menus deverão conter alternativas de textos, possibilitando desta forma que a imagem seja interpretada pelo leitor de telas. Além disso, o contraste entre o fundo e a cor do texto deve ser de 4.5:1, ou superior. A possibilidade em alterar esse contraste também deve ser oferecida ao usuário, permitindo-o trocas as cores de texto e fundo.
Menus pequenos e textos inferiores a 10 pontos devem ser evitados a fim de facilitar a navegação de pessoas com paralisia de membros ou outra deficiência. Um usuário que utiliza os pés para movimentar o mouse deve conseguir clicar no link com facilidade, porém se a área de link for muito pequena, essa operação se tornará difícil e exigirá muita paciência do usuário.[4]
Segundo Jakob Nielsen (2000, pg. 302) “Os problemas de acessibilidade mais sérios, dado o atual estado da Web, relacionam-se a usuários cegos e a usuários com outras deficiências visuais, posto que a maioria das páginas da Web é altamente visual. Por exemplo, é bastante comum ver combinações de cores de primeiro e segundo plano que tornam as páginas praticamente ilegíveis a usuários daltônicos. No mínimo, é preciso que um usuário daltônico lhe dê feedback de todos os designs gráficos pois essa é a forma mais comum de problemas relativos à cor.”
Contudo, para que um site tenha o mínimo de recursos para se tornar acessível, é necessário ao menos que ele possua boa navegabilidade e usabilidade, com estes conceitos aplicados, grande parte dos problemas de acessibilidade estão resolvidos.
Referências:
[1] BOOTH, Paul A. An introduction to human-computer interaction. Lawrence Erlbaum Associates Ltd, 1989.
[2] Diversidade – Retratos da Deficiência no Brasil. Disponível em <http://www.fgv.br/cps/deficiencia_br/index2.htm>. Acesso em 14 de Junho de 2010.
[3] DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004. Disponível em <http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=240147>. Acesso em 14 de Junho de 2010.
[4] NIELSEN, Jakob. Projetando Websites – Rio de Janeiro: Campus, 2000
[5] RECOMENDAÇÕES de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) 2.0. São Paulo, 2008. Disponível em: <http://www.ilearn.com.br/TR/WCAG20/> . Acesso em: 24 mai. 2010
[6] IUNES, André Philippe. Usabilidade: a Lei do mais fácil. Revista WebDesign, Rio de Janeiro, n. 11, p. 26-36, nov. 2004.
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Parabéns! Sua linguagem é bem esclarecida. Fiz uma ótima leitura. As ideias são bem consistentes e apresentam a realidade que estamos vivenciando nos dias de hoje.
Olá, bom dia
Gostaria de fazer contato com pessoas portadoras de deficiencia fisica por lesão medular, porque sou lesado medular e tenho dor neuropática.
Desejo saber se alguém com lesão medular tem ou teve dor neuropática se encontrou algum medicamento que tirasse a dor, porque já tentei de tudo e ainda não consegui nenhum resultado.
Obrigado
Helvécio Cesario Alecrim
Arapongas – Pr
Obrigado pelos elogios.
Abs…