Domingo passado tivemos o lançamento do novo projeto gráfico do Jornal Estado de São Paulo, o Estadão. Projeto que abrange a edição impressa e a virtual e tem como objetivo deixá-los mais dinâmicos e criar relação mais próxima entre as duas versões.
Não vou aqui analisar a mudança completa, me atentarei apenas em analisar quais foram as principais mudanças e o que elas representam para o mercados editoriais.
As mudanças completas estão disponíveis em: http://www.estadao.com.br/jornal_renovado.shtm. O legal neste endereço é poder comparar e analisar separadamente as diagramações já feitas para o jornal desde 1875 (acesse o item “Histórico” do menu). É possível também assistir ao vídeo sobre as mudanças.
Como não conheço muito diagramação de jornal impresso, irei analisá-lo mais superficialmente, abordando melhor as mudanças que o site sofreu.
Jornal impresso
Começando pela versão impressa do jornal. Resgatei através do arquivo Digital do Estadão e coloco abaixo a capa do jornal do dia 7/3/2010 e o do dia do lançamento do novo projeto gráfico (14/3/2010). Confira abaixo.

Lado a lado, nota-se com facilidade que o topo ficou mais clean com a retirada de alguns textos e a reorganização de outros, deixando maior a área em branco. Esta mudança permitiu que o nome do jornal fosse aumentado e o azul característico da marca foi levemente escurecido. Com estas alterações, o nome do jornal ganha muito mais destaque nas bancas e acrescenta o “mascote” do jornal: o Ex-Libris.
A quantidade de colunas também sofreu alteração. Na versão antiga, a capa possuia 6 colunas e na nova diagramação existem apenas 5. A disposição da foto principal na capa não sofreu alteração.
Talvez a maior mudança neste novo projeto gráfico seja a que menos seja notada pelos leitores do jornal: a tipografia.

Desenvolvida pelo designer português Mário Feliciano, na verdade ela é uma adaptação de outra fonte que ele já havia construído. As adaptações visaram deixá-la mais harmoniosa e apropriada à lingua portuguesa, incluindo os acentos e caracteres especiais.
No desenho acima é possível notar que a espessura da fonte, se comparada à anterior, é bem mais fina, conferindo à massa de texto maiores áreas de contraste.
Estadão.com
Antes da renovação do layout do site do Estadão.com fiz uma cópia exata de toda a diagramação para que pudesse fazer uma análise mais criteriosa sobre as mudanças realizadas.
Logo que foi colocado no ar, muitos designers e internautas começaram a caçar diversas referências e semelhanças entre o novo layout com o de outros portais mundo afora. Segundo o colunista de tecnologia do Estadão, Pedro Doria, o novo layout foi realmente inspirado no espanhol “El País” e no francês “Le Monde”. E não é difícil ver as semelhanças entre eles. Nos três a divisão principal é feita através de três colunas e o menu possuem basicamente a mesma estrutura.
Um pouco menos explícito, segundo o Pedro Doria, estão as inspirações vindas do “Guardian” e do “The Times“.
Não foi citado pelo Pedro Doria, mas vi muitas semelhanças entre o novo layout com o site da revista veja. Sendo que o site da revista é melhor resolvido, deixando espaços para que o usuário “respire” o conteúdo e consiga se localizar com maior facilidade.
Na imagem ao lado é possível analisar que o scroll do novo site (3955 pixels de altura) é quase o dobro em relação ao antigo (2364 pixels).
Há mistura entre duas tipografias totalmente diferentes: “Times New Roman” e “Verdana”. Uma serifada e outra bastonada. A “Times” é utilizada na home nos títulos das matérias, nos nomes de colunistas e nos títulos dos “cadernos” do site, sendo que em alguns casos ela é utilizada com pontuação muito pequena e em caixa alta, gerando ruído visual, dificultando a leitura e empobrecendo o layout.
Se analisarmos o site do jornal “The New York Times” é possível notar que eles fazem uso destas duas tipografias também, porém de forma invertida já que, a “Verdana”, funciona melhor em pontuações pequenas que a “Times New Roman”.

Na imagem ao lado é possível constatar outro problema, na home existem áreas onde os textos e os espaços entre as linhas estão muito pequenos, prejudicando seriamente a leitura e a hierarquia entre os textos. Parece que o portal quer espremer a maior quantidade de notícias no menor espaço possível. Bastaria reduzir algumas chamadas e ampliar a área de descanso, que aqui, não existe.
Nas páginas internas do site, tanto nos títulos quanto no conteúdo das matérias a tipografia é a “Times New Roman” e ambos os casos ela possui tamanho é ideal para a leitura sem forçar os olhos. E se mesmo assim não estiver enxergando bem, pode utilizar o recurso para aumentá-lo.
Os textos que utilizam a “Verdana” não há problemas de leiturabilidade.
Dentro das matérias existem os botões para compartilhamento do conteúdo. O recurso é interessante e já está presente na grande maioria dos sites de notícias. O problema é que as limitações de algumas redes não foram respeitadas. Por exemplo ao recomendar uma matéria pelo twitter, onde somente aceita mensagens com 140 caracteres, o endereço completo da página irá aparecer no campo da mensagem (inclusive com o chato do “http://”), contabilizando-os como caracteres da mensagem e, em alguns casos, a url pode ocupar ou ultrapassar os 140 caracteres disponíveis, ou seja, nada de colocar a sua opinião junto ao link.
Outros problemas pontuais sobre o novo layout:
1. A quantidade exagerada dos anúncios gigantescos. Tem o anúncio que atravessa a tela abaixo do menu (e se você parar o mouse em cima da sua área, ele irá aumentar e ocupar a tela toda), a coluna da direita quase que em sua totalidade possui anúncios grandes e animados. Existe ainda as inúmeras marcas de empresas patrocinadoras dos canais do portal. Somando todos e a imensa quantidade de elementos animados contidos neles, se tem um layout poluído e “dançante”, não permitindo que a atenção do leitor seja destinada exclusivamente à leitura das notícias. Aqui cabe um lembrete: o Google ganha dinheiro com anúncios discretos e sem animações.
2. Não consegui identificar uma hierarquia interessante para as notícias da home. Pelo que li a respeito, a home está dividida em “Notícias importantes” (coluna da esquerda) e “Matérias interessantes” (coluna central). Mas, particularmente, não consegui fazer essa distinção. O uso de imagens na coluna central simplesmente destaca as notícias, porém não as diferenciam das existentes na coluna da esquerda.
3. Falta no menu alguns links de acesso rápido para alguns canais do portal como “TV Estadão” e “Galerias do Estado“. Só é possível acessá-los se primeiro você acessar canal ou notícia que contenha estes recursos.
4. Neste período pós-lançamento é claro que alguns erros de programação podem ocorrer.

Quando estava lendo uma notícia, achei interessante a chamada do canal Música “Show do Guns no Rio ficam para abril” e cliquei, porém fui levado para a página sobre o assinato do Glauco. Tentei novamente e realmente o link a matéria estava errado.
5. Outra página que se encontra com erro é a do Widget, que está com partes do layout antigo do site.
O item que mais me desapontou nesta rediagramação visual é que nem todos os canais foram contemplados. O que mais merecia atenção foi o que nada foi alterado: o canal Link.
No geral, o layout do site ficou interessante. Um pouco poluído e confuso, mas foge da tendência minimalista brasileira em desenvolver sites quase completamente brancos, com cores apenas para diferenciar os diversos canais existentes, como ocorre no G1, R7, Band e Folha Online.
A seguir deixo alguns links interessantes sobre o assunto:
E você? O que achou destas mudanças?
Abs…
Posts relacionados
Olá Fernando!
Achei o seu post no blog sobre o novo projeto do jornal Estadão (antes e depois) muito bem explicado e de grande ajuda para quem precisa se informar sobre isso assim como eu que estou fazendo um trabalho da faculdade sobre isso. Porem gostaria de saber se você pode dar mais algumas explicações, caso você saiba sobre alguns outros cadernos para tornar a pesquisa bem ampla.
Agradeço desde já.
[...] Estadão.com e sua reforma gráfica Por guiamultimidia A reformulação gráfica do site do “Estadão” não trouxe muita inovação. O site não utiliza muitos recursos da web 2.0, há algumas falhas [...]
Excelente post! Estou fazendo uma ampla pesquisa sobre os desafios e mudanças no consumo de informação hoje e seu post me ajudou muito. Parabéns! Vamos interagir pelo twitter também? O meu nick é @blogabralosojos
Mais um pouco sobre novos projetos da FOLHA e do ESTADÃO: na minha modéstia opinião penso que ambos os jornais ousaram muito pouco ou quase nada. Se acomodaram no conservadorismo. Poderiam e tinham a missão histórica (por serem os dois maiores jornais do país) de ousar mais. Agora, totalmente dispensável é a campanha da Folha prometer “A Folha fez o jornal do futuro” só porque aumentou as fotinhas e diminiui quase nada os textos. Ridículo!