Causo:
Estava eu conversando com o pedreiro a respeito da reforma em casa quando surgiu o seguinte diálogo:
- Sabe Fernando, amanhã eu só vô podê vim de manhã, porque a tarde tenho médico da minha pressão alta.
- Ah é?! Tá bom.
- É que eu tenho que voltar no médico a cada dois meses pra ele acompanhar, se não eu “perdo” a minha bolsa família. Você sabe, é pouco né, mas já ajuda. E minha mulher também tem que a cada dois meses í no médico pra faze o tratamento dela, se não nóis perde também. Agora tá ruim esse negócio, se não for eles cancelam…
Na hora da conversa achei que fazia sentido o governo exigir que o tratamento seja feito por completo caso contrário o Bolsa Família seja cancelado.
Não quero entrar no mérito (?) destes serviços assistêncialistas neste post, pois o que me fez pensar foi outro foco da conversa.
O Governo oferece ao povo um sistema de saúde (sus) deficiente, insuficiente e precário. E para oferecer este serviço gasta (sim, até que provem os desvios sofridos, o dinheiro foi gasto no sistema de saúde) milhões, bilhões de reais ao ano para o tratamento do povo.
Este povo por sua vez reclama que não tem leitos, reclama da demora, da falta do pessoal e todas essas coisas que já estamos cansados de ouvir. Aí o povo não volta nos retornos, não faz os exames (quando se tem o equipamento para tanto) e o acompanhamento da doença se perde no meio do caminho.
Aí qual foi a solução do governo? Pagar para que os doentes façam o tratamento. Sim, esta é a função então do Bolsa Família. O governo paga duas vezes para que o povo tenha o tratamento às doenças. Uma vez quando paga os médicos, os remédios etc e outra parcela diretamente ao enfermo para que ele retorne e continue o tratamento.
Por outro lado desta história toda temos os que além de pagar ao governo pelo tratamento (que como vemos é falho por dezenas de problemas) pagam também aos planos de saúde.
E como resolver esta história toda? Menos corrupção, maior investimento na saúde e maior conscientização nas classes sociais menos favorecidas.
O serviço assistencialista do governo, além de prejudicar éticamente todo o sistema público, oferece um desserviço à comunidade e ensina como ser imoral, já que o tratamento médico deveria ser de interesse da pessoa afetada, ela sendo responsável pela continuidade do seu próprio tratamento.
No exemplo citado no começo, a impressão que tive é a de que, se o governo não pagasse a ele o dinheiro do Bolsa Família, ele não iria retornar ao médico por achar desnecessário.
Abaixo segue uma tabela informativa sobre o total de impostos (em %) do valor final do produto é imposto. A tabela foi criada pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário e faz parte do movimento “Feirão do Imposto“.

Abs…
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